domingo, 16 de dezembro de 2018

Seca e conflitos aumentaram a fome de milhões em 2017, alerta novo relatório

Seca e conflitos aumentaram a fome de milhões em 2017, alerta novo relatório

por Rebrae 06/04/18

Apresentado pela FAO, Programa Mundial de Alimentos (PMA) e União Europeia, o Relatório Global sobre Crises Alimentares revelou que as emergências alimentares são cada vez mais determinadas por causas complexas como conflitos, choques climáticos e preços elevados de alimentos básicos – fatores que, muitas vezes, agem ao mesmo tempo.

Esta jovem mãe andou 20 dias de Diinsoor, na Somália, com seus sete filhos para o campo de refugiados de Hagadera, em Dadaab, no Quênia. Depois que o gado de seu marido morreu por causa da seca na Somália, ela foi para Dadaab devido à fome. Foto: OCHA/Meridith Kohut

Esta jovem mãe andou 20 dias de Diinsoor, na Somália, com seus sete filhos para o campo de refugiados de Hagadera, em Dadaab, no Quênia. Depois que o gado de seu marido morreu por causa da seca na Somália, ela foi para Dadaab devido à fome. Foto: OCHA/Meridith Kohut

Impulsionados principalmente por desastres climáticos e conflitos, os níveis de fome aumentaram em 2017, deixando cerca de 124 milhões de pessoas em 51 países enfrentando crises de fome. Esse número representa 11 milhões a mais do que no ano anterior, segundo um novo relatório apoiado pelas Nações Unidas.

“Relatórios como esse nos fornecem dados e análises vitais para entender melhor o desafio. Cabe-nos agora tomar medidas para satisfazer as necessidades daqueles que enfrentam o flagelo diário da fome e atacar as suas causas profundas”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, numa mensagem em vídeo sobre o relatório.

Apresentado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) e pela União Europeia no dia 22 de março, o Relatório Global sobre Crises Alimentares revelou que as emergências alimentares são cada vez mais determinadas por causas complexas como conflitos, choques climáticos e preços elevados de alimentos básicos – fatores que, muitas vezes, agem ao mesmo tempo.

“Devemos reconhecer e abordar a ligação entre a fome e os conflitos, se quisermos alcançar a fome zero”, disse José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO.

O relatório aponta que o conflito continuou a ser o principal fator de insegurança alimentar aguda em 18 países – 15 na África ou no Oriente Médio –, representando 60% do total global.

O aumento é em grande parte atribuível a novos ou intensificados conflitos e à insegurança em Mianmar, no nordeste da Nigéria, na República Democrática do Congo, no Sudão do Sul e no Iêmen.

“A luta deve parar agora e o mundo deve se unir para evitar essas crises, muitas vezes acontecendo bem diante dos nossos olhos”, ressaltou David Beasley, diretor-executivo do PMA.

“Investir em segurança alimentar e meios de subsistência em situações de conflito salva vidas, fortalece a resiliência e também pode contribuir para a manutenção da paz”, afirmou Graziano.

O relatório cita, por exemplo, que condições prolongadas de seca resultaram em consecutivas colheitas fracas em países que já enfrentavam altos níveis de insegurança alimentar e desnutrição na África Oriental e Austral.

“As consequências do conflito e da mudança climática são cruéis: milhões de pessoas a mais, muitas desesperadamente, com fome”, afirmou Beasley.

O relatório também sinaliza que comunidades inteiras e mais crianças e mulheres precisam de apoio nutricional em relação ao ano passado, indicando a necessidade de soluções duradouras para reverter a tendência.

Além disso, destaca a necessidade urgente de ações simultâneas para salvar vidas, meios de subsistência e abordar as causas profundas das crises alimentares.

O relatório – que reúne dados regionais e nacionais e análises de múltiplas fontes – demonstra que, além da ajuda humanitária criticamente necessária, a ação de desenvolvimento precisa se engajar muito mais cedo para atacar as causas profundas da extrema vulnerabilidade e, portanto, fortalecer a resiliência.

“Este Relatório Global sobre Crises Alimentares mostra a magnitude das crises de hoje, mas também nos mostra que, se unirmos a vontade política e a tecnologia de hoje, podemos ter um mundo mais pacífico, mais estável e onde a fome se torna uma coisa do passado”, concluiu Beasley.

Mapas com dados interativos do relatório podem ser encontrados clicando aqui (em inglês, francês e espanhol).

Fonte: ONU Brasil



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